A falta de incentivo ao desenvolvimento científico e tecnológico no Brasil

TEMA: A falta de incentivo ao desenvolvimento científico e tecnológico no Brasil

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O Governo Federal, por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, lançou nessa segunda-feira (13/09) uma Chamada Pública no valor de R$ 43,1 milhões para apoiar a inserção de pesquisadores em empresas inovadoras e startups. A inciativa faz parte do Programa de Recursos Humanos em Áreas Estratégicas – RHAE Pesquisador na Empresa, promovido pela Secretaria de Empreendedorismo e Inovação (SEMPI/MCTI) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI). 

O objetivo é apoiar projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P,D&I) que visem contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico, a inovação e o empreendedorismo no Brasil, por meio da inserção de pesquisadores em empresas inovadoras e startups, em áreas tecnológicas prioritárias estabelecidas pelo MCTI (Portaria nº 5.109/21), especialmente nas áreas de Tecnologias Estratégicas e Habilitadoras, GovTechs e Negócios de Impacto.

Fonte: MCTI lança edital de R$ 43,1 milhões para projetos de pesquisa de contribuição ao desenvolvimento científico e tecnológico, inovação e empreendedorismo no Brasil — Português (Brasil) (www.gov.br)

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A área de ciência e tecnologia foi uma das que mais sofreram queda no volume de investimentos no Brasil. Isso tem levado os nossos pesquisadores a deixar o país. É a chamada “fuga de cérebros”.

No saguão dos aeroportos internacionais, está parte da nata da ciência brasileira, com passagem só de ida. Nos últimos dois anos, o país ganhou espaço na “exportação” de profissionais qualificados. Uma transação em que o Brasil só perde. “A parte mais criativa da vida de qualquer cientista é logo depois de se formar; ele está cheio de energia, cheio de ideias novas na cabeça e é muito frustrante para esses jovens não terem oportunidade no seu próprio país”, explicou Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física/USP.

De tanto olhar para o céu, o meteorologista Micael Amore Cecchini virou doutor em nuvens – estudo capaz de gerar milhões para a agricultura com previsões de chuva e estiagem certeiras. Sem lugar no Brasil, está de partida para os Estados Unidos com toda a bagagem. “Foram 15 anos estudando aqui, sempre 100% financiado pelo dinheiro público. Então, eu sinto uma obrigação de devolver para o país que me formou. Os concursos começaram a ser congelados e eu não consegui achar uma posição fixa para mim aqui. Então, eu tive que procurar fora do país”, afirmou o meteorologista e pós-doutorando.

Uma escola francesa estuda a competitividade de 133 países por talentos. No ranking dos que mais mantêm profissionais qualificados, o Brasil despencou 25 posições de 2019 para 2020: passou da posição 45 para a 70. Quando se olha a lista das nações que mais atraem talentos, o país também caiu bastante em quatro anos: perdeu 28 posições. “Há um enorme negacionismo da importância do conhecimento, da importância do desenvolvimento científico tecnológico, e isto está levando o país a um retrocesso intelectual enorme”, definiu Artaxo.

Fonte: Com queda de investimento em ciência e tecnologia, Brasil perde talentos para outros países | (g1.globo.com)

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O pesquisador Glauco Meireles quer desenvolver um projeto para estudar a aplicação do estanho em baterias de lítio. “O Brasil está entre as maiores reservas de estanho do mundo. Então, eu quero agregar valor tecnológico a uma matéria-prima nacional para o desenvolvimento de dispositivos tecnológicos”, explica Meireles à BBC News Brasil.

Ele, que tem mestrado e doutorado na área da Química, inscreveu o projeto no edital de bolsas de doutorado e pós-doutorado do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) de 2020. Para conseguir conduzir o projeto, ele precisaria dedicar, ao menos, oito horas diárias à pesquisa em laboratório durante cinco dias por semana. “Mas na verdade, a gente acaba trabalhando muito mais do que isso”, diz. O comitê que analisou a iniciativa dele apontou que se trata de um tema que colabora para o desenvolvimento da ciência e tecnologia no país. Apesar disso, Meireles não esteve entre os aprovados com bolsa pelo CNPq. Assim como ele, outros milhares de pesquisadores brasileiros inscritos no edital do CNPq de doutorado e pós-doutorado de 2020 não receberam bolsas para conduzir as pesquisas, mesmo tendo seus projetos elogiados pelos pareceristas (especialistas que avaliam a proposta e emitem uma nota técnica sobre ela). Dos 4.279 projetos inscritos na chamada de 2020 para o Brasil, 3.080 foram aprovados com mérito por pareceristas. Destes, somente 396 foram selecionados para receber bolsas. Para o exterior foram aprovadas 73 propostas com bolsas, entre as pouco mais de 2 mil inscritas — não foram divulgadas quantas tiveram boas avaliações de pareceristas. Ao todo, segundo o CNPq, foram investidos R$ 35 milhões no edital, que concedeu 469 bolsas.

Fonte: ‘Com mérito’, mas sem bolsa: a frustração de quem recorre a ‘bicos’ e ajuda da família para fazer ciência no Brasil (www.bbc.com)