As castas de conhecimento ainda são fortíssimas, elas não gostam muito de intrusos.

Leia o texto a seguir, de Carlos Gerbase, publicado no Jornal Zero Hora:

As castas de conhecimento ainda são fortíssimas, elas não gostam muito de intrusos.

A ideia de que, no atual estágio da civilização, nossos maiores desafios só podem ser resolvidos através do diálogo entre diferentes áreas do conhecimento está bem estabelecida na academia. Há até uma área na Capes (órgão que apoia a educação de nível superior no Brasil) destinada a cursos interdisciplinares, em número crescente na última década. Os superespecialistas, que dominam em profundidade um conteúdo muito estrito, ainda são úteis, pois promovem os grandes avanços teóricos. Contudo, quando se trata de enfrentar, na prática, o aquecimento global, a desigualdade social ou o funcionamento psicológico dos seres humanos, é preciso cruzar as fronteiras entre as disciplinas. É necessário pular o muro e conversar com os vizinhos. Na hora do pulo, porém, é comum descobrir que nem sempre o vizinho te recebe de braços abertos. As castas de conhecimento ainda são fortíssimas, e elas não gostam muito de intrusos.


O biólogo Edward Wilson tem um livro consolador para mim, Consiliência: A Unidade do Conhecimento, em que defende a integração de todas as ciências — exatas, humanas e biológicas — com as artes. Wilson partiu de estudo superespecífico com formigas, ampliou sua pesquisa para outras espécies sociais, criando a Sociobiologia, e tentou pular o muro para discutir os mecanismos de funcionamento psicológico dos seres humanos com acadêmicos de áreas não biológicas. O tombo foi tão grande, ou a recepção dos vizinhos foi tão hostil, que a Sociobiologia teve que ser rebatizada e hoje se chama Psicologia Evolutiva. Fica a lição: se você quiser pular o muro, não espere de seu vizinho um convite para jantar.

Adaptado de: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carlos-gerbase/noticia/2020/10/as-castas-de-conhecimento-ainda-sao-fortissimas-e-elas-nao-gostam-muito-de-intrusos-ckgr2pi4b001b015xf1qxfwne.html

Após a leitura do texto de Carlos Gerbase, produza um texto dissertativo apresentando o seu ponto de vista acerca das ideias do autor sobre a importância (ou não) da integração de áreas de conhecimento. Para isso, é fundamental que sua opinião seja exposta de modo articulado, em um conjunto de ideias claras e consistentes. Ao desenvolvê-la, você pode se valer das reflexões de Gerbase, de exemplos pessoais, situações presenciadas, fatos, acontecimentos, enfim, de tudo o que possa ajudá-lo a sustentar, de maneira qualificada, o texto.

Instruções:

A versão final do seu texto deve:

1 – conter um título na linha destinada a esse fim;

2 – ter a extensão mínima de 30 linhas, excluído o título – aquém disso, seu texto não será avaliado -, e máxima de 50 linhas. Segmentos emendados, ou rasurados, ou repetidos, ou linhas em branco terão esses espaços descontados do cômputo total de linhas.