Livro “Capitães da Areia”, de Jorge Amado

Em “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, somos apresentados a um grupo de crianças cativantes, mas que infelizmente foram abandonadas pelo governo e não têm nenhuma assistência familiar. Fora da ficção, pobres meninos e meninas também habitam as ruas brasileiras cometendo pequenos furtos para sobreviver.

Desde o seu lançamento, em 1937, “Capitães da Areia” causou escândalo: inúmeros exemplares do livro foram queimados em praça pública, por determinação do Estado Novo. Ao longo de sete décadas a narrativa não perdeu viço nem atualidade, pelo contrário: a vida urbana dos meninos pobres e infratores ganhou contornos trágicos e urgentes.

Várias gerações de brasileiros sofreram o impacto e a sedução desses meninos que moram num trapiche abandonado no areal do cais de Salvador, vivendo à margem das convenções sociais. Verdadeiro romance de formação, o livro nos torna íntimos de suas pequenas criaturas, cada uma delas com suas carências e ambições: do líder Pedro Bala ao religioso Pirulito, do ressentido e cruel Sem-Pernas ao aprendiz de cafetão Gato, do sensato Professor ao rústico sertanejo Volta Seca. Com a força envolvente de sua prosa, Jorge Amado nos aproxima desses garotos e nos contagia com seu intenso desejo de liberdade.

Atualizado: 18/02/2016 – 16:17
23/06/2010 – 16:53
Por: Redação

Disponível em: https://catracalivre.com.br/criatividade/capitaes-de-areia/. Acesso em: 21 de julho de 2020.