Desafios para motivar a participação política entre os jovens.

Leia os textos motivadores.

TEXTO 1

Brasília — Gerações mais novas são frequentemente criticadas por manterem distância da participação política. Mas, às vésperas de mais uma eleição para escolher presidente, governadores, deputados e senadores, jovens ouvidos pela Agência Brasil contestam o rótulo de despolitizados. Eles definem sua relação com as questões públicas como um envolvimento que se afastou das vias tradicionais. Na visão deles, há uma desilusão com partidos e estruturas formais de poder, mas a juventude não está desengajada.

A estudante Marina Serra dos Santos, 17 anos, diz que o ativismo desvinculado de partidos políticos é válido. A jovem, que na internet utiliza o pseudônimo Marina Saint-Hills, marca presença nas redes sociais e mantém um blog onde compartilha conteúdos sobre sua visão de mundo e suas experiências. Marina é favorável a pequenas mudanças de atitude no cotidiano e destaca as ações apartidárias como uma tendência mundial.

“Na minha opinião, muitas pessoas não encontram representação [entre os partidos]. A juventude acordou, quer mudanças, mas não sabe identificar o que quer que mude. A política vai muito além do que está acontecendo na Esplanada [dos Ministérios]. Tem a corrupção em pequena escala, o ‘jeitinho’ brasileiro. [O apartidarismo] não é só característico das manifestações no Brasil. O Occupy [movimento Occupy Wall Street, iniciado nos Estados Unidos, contrário às distorções sociais, ganância e corrupção] era assim. A gente viu em junho [durante as manifestações] que não era só política [tradicional]. Tinha movimento LGBT [lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transgêneros e transexuais] e muitos outros”, comenta.

O estudante João Felipe Amaral Bobroff, 17 anos, presidente do grêmio estudantil da escola em que estuda, também acredita que a participação política ultrapassa os partidos e o comparecimento às urnas. “A juventude é politizada, mas apartidária. Política não é só partido. Temos um sistema eleitoral que só dá espaço para quem entra com muito dinheiro. Não é doação, é financiamento [de campanha]”, critica. Para João Felipe, as manifestações de junho reuniram “pessoas defendendo ideais”. “É isso que está faltando, e também viver esses ideais no dia a dia”, defende.

Adaptado de: https://exame.abril.com.br/brasil/jovens-afirma-que-forma-de-participacao-politica-mudou/

TEXTO 2

A partir da Constituição Federal de 1988, os jovens de 16 de 17 anos passaram a ter direito ao alistamento eleitoral e ao voto facultativo. Essa importante conquista torna-se evidente pelo número de jovens que participam, cada vez mais, do processo eleitoral brasileiro, inclusive no comparecimento às urnas nos dias de eleições. Vale destacar que 2.311.120 eleitores de 16 e 17 anos estavam aptos a votar para prefeito e para vereador nas Eleições de 2016, contra 1.638.751 nessas mesmas faixas etárias em 2014. Portanto, entre as duas últimas eleições, o eleitorado jovem cresceu 29,09%.

Em 2016, os jovens de 16 a 17 anos aptos a votar representavam 1,60 % do eleitorado nacional, que era de 144.088.912 na ocasião, contra 1,14% nessas faixas etárias do total de eleitores em 2014. Pelos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 833.333 jovens de 16 anos e 1.477.787 de 17 anos estavam aptos a votar em 2016.

O aumento do interesse e participação dos jovens na vida política do país é um dos fatores que contribuem para o fortalecimento da democracia e para aumentar a riqueza dos debates sobre as questões e problemas nacionais.

O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Admar Gonzaga destaca o papel da juventude para a democracia. “A participação dos jovens é fundamental para a consolidação da democracia brasileira, pois possibilita a renovação de ideias e, consequentemente, a mudança na representação política, de modo a melhor atender às demandas sociais”, aponta.  

Adaptado de: http://www.tse.jus.br/imprensa/noticias-tse/2017/Novembro/semana-jovem-eleitor-participacao-dos-jovens-nos-debates-da-politica-nacional-fortalece-democracia

TEXTO 3

A juventude brasileira está inconformada com o país em que vive. Afastada dos partidos e da política, pouco quer saber dos fundamentos da economia e do desenvolvimento, de modo geral, bem como não lhe interessa comparar o passado com o presente, pois seu olho se dirige ao futuro. Já fez protestos em 2013, participando de passeatas contra o aumento das passagens de ônibus e a falta de serviços públicos de qualidade. Foram as maiores manifestações públicas da história do Brasil desde a campanha das Diretas Já e dos caras pintadas que levaram à renúncia do presidente Fernando Collor.

Um terço do eleitorado brasileiro é formado por jovens entre 16 e 33 anos, ou seja, são mais de 45 milhões de pessoas em um universo de 144 milhões aptas a votar em outubro. Portanto, esses jovens têm o poder de decidir as eleições deste ano, enquanto os políticos precisam descer do pedestal e propor um diálogo franco e honesto se pretendem atrair o seu voto. Este é o problema: estabelecer um diálogo com quem está desiludido com a corrupção e com os velhos e pérfidos costumes políticos.

Adaptado de: https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/sem-os-jovens-futuro-da-politica-e-sombrio/

Com base na leitura dos textos motivadores e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo, em modalidade escrita formal da língua portuguesa, sobre o tema desafios para motivar a participação política entre os jovens, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.