Educação inclusiva para estudantes com deficiência

TEXTO 1

O governo federal lançou, nesta quarta-feira (30/9), a nova Política Nacional de Educação Especial (PNEE) para ampliar o atendimento educacional especializado a mais de 1,3 milhão de educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação no país. […] Um dos objetivos é dar mais flexibilidade aos sistemas de ensino, na oferta de alternativas como: classes e escolas comuns inclusivas, classes e escolas especiais, classes e escolas bilíngues de surdos, segundo as demandas específicas dos estudantes. Também se pretende aumentar o número de educandos que, por não se beneficiarem das escolas comuns, evadiram em anos anteriores. […] Por meio da PNEE, os sistemas de ensino estaduais e municipais poderão receber apoio para instalar salas de recursos multifuncionais ou específicas, dar cursos de formação inicial ou continuada de professores, melhorar a acessibilidade arquitetônica e pedagógica nas escolas, e ainda criar ou aprimorar Centros de Serviço de Atendimento Educacional Especializado. […] Compõe ainda a nova PNEE, a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos que visa atender aos alunos surdos, surdocegos e deficientes auditivos, nas escolas bilíngues de surdos e nas classes bilíngues das escolas comuns inclusivas, bem como promover a difusão do ensino da Libras nesses espaços.

Fonte: Governo lança Política Nacional de Educação Especial – www.gov.br

TEXTO 2

A organização internacional Human Rights Watch lançou um alerta para a ameaça à educação inclusiva no Brasil. Esta semana, a organização de defesa dos Direitos Humanos participou de uma audiência pública sobre um decreto que inclui escolas especiais como opção para educação de estudantes com deficiência.

A professora da USP na área de educação especial Biancha Angelucci diz que a inclusão de todos nas escolas comuns é um princípio pedagógico e ético. “Se formos pensar os elementos utilizados para justificar a segregação de pessoas negras ou de mulheres em processos escolares, nós vamos perceber que se trata da mesma lógica: ‘não estamos preparadas, então é melhor ficar cada uma na sua instituição porque não sabemos o que fazer com vocês pessoas negras, com vocês mulheres e agora com você pessoas com deficiência’“, diz.

Fonte: Especialistas temem que nova política de educação especial possa gerar segregação (g1.globo.com)

TEXTO 3

Luiz Antônio, o filho caçula dela, foi diagnosticado com autismo aos dois anos e meio. Pouco depois, ele começou a estudar em uma escola regular em São Paulo (SP), cidade em que a família mora. A mãe considerava que ele pudesse se desenvolver na unidade de ensino, por considerar que o contato com outras crianças da idade dele seria fundamental para o garoto, pois uma das características do autismo é a dificuldade na socialização e comunicação.

A advogada relata que após o filho passar cerca de um ano na escola, a diretora do local informou que o garoto estava “causando constrangimento”, em razão de seu comportamento diferente das outras crianças. “Eu senti o preconceito na pele. Simplesmente o retirei daquela escola e procurei uma especial”, conta Camilla. Na escola especial, segundo a advogada, Luiz Antônio regrediu. “Foi muito ruim, porque ele não convivia com crianças com desenvolvimento considerado normal. O autismo dele ficou mais severo, porque ele pegava os mesmos comportamentos dos outros. Era uma unidade de ensino pouco lúdica, focada mais nos tratamentos das crianças”, detalha a mãe do garoto. Ela conta que tirou o filho da escola depois de quase dois anos, após uma festa de fim de ano. “Durante uma apresentação, cada criança estava com um adulto por trás, até mesmo pra levantar o próprio braço. Pensei: como estão ensinando essas crianças a evoluir, se estão fazendo tudo por elas?”, diz.

No ano seguinte, Camilla buscou uma vaga para o garoto na mesma escola em que a filha dela, dois anos mais velha que o irmão, estudava. “É uma escola regular. Decidi colocá-lo nela porque percebi que seria muito melhor para o meu filho”, diz a advogada. Logo que chegou na escola nova, Luiz Antônio teve dificuldades para se integrar. Alguns alunos tiveram medo do garoto, principalmente quando ele demonstrava estresse. “Não foi um processo fácil. Foi muito doloroso. Mas deu certo. Todo mundo acaba crescendo com isso, o meu filho e as outras crianças”, diz a advogada.

Ela comenta que após as dificuldades iniciais, o garoto ficou completamente integrado à turma. “Essa inclusão não é apenas jogar o aluno na escola. É todo um processo. O professor também precisa entender o potencial do estudante para poder ajudá-lo. Isso leva tempo”, comenta. “Hoje, quando ele está nervoso, os colegas entendem. Isso faz com que esses outros alunos tenham mais empatia”, relata a advogada.

Fonte: ‘Como escola especial atrasou desenvolvimento de meu filho com autismo’ (www.bbc.com)