Falta de tempo

Modelo UFN

O tempo, os tempos… A inquietação com a passagem do tempo está presente desde os clássicos, de Lewis Carol, às obras de Salvador Dali e à música de Cazuza. Essa inquietação merece reflexão acerca dessa passagem inevitável do tempo e da condição efêmera da vida, visto que podemos fazer escolhas, mudar nossas prioridades e nosso modo de viver. Parece que, com a pressa e com a vida acelerada, perdemos tempo e o domínio sobre o nosso tempo, cuja noção é relativa, afirmam os especialistas. A sensação de tempo perdido e de atraso em relação a tudo, correndo contra um tempo que não para e que, muitas vezes, impede-nos de fazer aquilo que realmente é importante, parece ser a marca da contemporaneidade. Para contribuir com a organização das ideias na elaboração de sua redação, leia os textos motivadores a seguir.

TEXTO 1

Pela Toca do Coelho ALICE ESTAVA COMEÇANDO a ficar muito cansada de estar sentada ao lado da irmã na ribanceira, e de não ter nada que fazer; espiara uma ou duas vezes o livro que estava lendo, mas não tinha figuras nem diálogos, “e de que serve um livro?”, pensou Alice, “sem figuras nem diálogos?” Assim, refletia com seus botões (tanto quanto podia, porque o calor a fazia se sentir sonolenta e burra) se o prazer de fazer uma guirlanda de margaridas valeria o esforço de se levantar e colher as flores, quando, de repente, um Coelho Branco de olhos cor-de-rosa passou correndo por ela. Não havia nada de tão extraordinário nisso; nem Alice achou assim tão esquisito ouvir o Coelho dizer consigo mesmo: “Ai, ai! Ai, ai! Vou chegar atrasado demais!” (quando pensou sobre isso mais tarde, ocorreu-lhe que deveria ter ficado espantada, mas na hora tudo pareceu muito natural); mas quando viu o Coelho tirar um relógio do bolso do colete e olhar as horas, e depois sair em disparada, Alice se levantou num pulo, porque constatou subitamente que nunca tinha visto antes um coelho com bolso de colete, nem com relógio para tirar de lá, e, ardendo de curiosidade, correu pela campina atrás dele, ainda a tempo de vê-lo se meter a toda pressa numa grande toca de coelho debaixo da cerca. No instante seguinte, lá estava Alice se enfiando na toca atrás dele, sem nem pensar de que jeito conseguiria sair depois. Por um trecho, a toca de coelho seguia na horizontal, como um túnel, depois se afundava de repente, tão de repente que Alice não teve um segundo para pensar em parar antes de se ver despencando num poço muito fundo. Ou o poço era muito fundo ou ela caía muito devagar, porque, enquanto caía, teve tempo de sobra para olhar a sua volta e imaginar o que iria acontecer em seguida.

TEXTO 2

Os Relógios “Derretidos” 

(A Persistência da Memória. Salvador Dali/Moma/Reprodução) 

Os relógios que se derretem representam um tempo que passa de forma diferente. Ao contrário dos relógios normais, que marcam com precisão a passagem dos segundos, esses relógios de Dali possuem marcações diferentes, pois seus ponteiros estão derretidos e trazem uma noção distorcida dos segundos.

TEXTO 3

O Tempo Não Para
Cazuza 

Disparo contra o sol 
Sou forte, sou por acaso 
Minha metralhadora cheia de mágoas 
Eu sou um cara 
Cansado de correr
Na direção contrária 
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada 
Eu sou mais um cara 
Mas se você achar 
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados 
Porque o tempo, o tempo não para 
Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta 
A tua piscina tá cheia de ratos 
Tuas ideias não correspondem aos fatos 
O tempo não para 
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades 
O tempo não para 
Não para, não, não para […]

PROPOSTA DE REDAÇÃO 

 A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos seus conhecimentos de mundo, constituídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo, em norma culta da língua portuguesa, em que você deverá apresentar uma reflexão sobre o porquê da sensação de falta de tempo, de pressa constante e da necessidade de priorizar aquilo que realmente importa em sua vida.