Internet na divulgação de informações.

(PUCSP) Verão 2018

As relações interpessoais via internet difundem toda uma sorte de notícias e teses – algumas falsas e insensatas, outras baseadas em bom senso e sustentadas em pesquisas e, portanto, em comprovações.  Considerando os aspectos positivos e negativos quanto ao papel da internet na divulgação de informações e ideias, posicione-se e apresente seu ponto de vista em relação ao comportamento que os usuários das redes sociais deveriam adotar em prol do bem comum.

TEXTO I

Eles estão convictos de que a Terra é plana, de que a gravidade não existe e de que está em curso um complô de cientistas e agências governamentais para nos convencer do contrário. Essa constitui mais uma das tribos exóticas que passaram a existir ou ganharam visibilidade com a internet. No caso em tela, os movimentos terraplanistas modernos existem pelo menos desde os anos 50 e têm raízes no fundamentalismo bíblico; parecem viver, porém, um surto inflacionário, com proliferação de sites em que pretendem provar cientificamente que estão certos. De tão absurda e facilmente desmontável, a tese nem mereceria comentário se esse tipo de coletividade virtual não fosse sintoma de um fenômeno mais geral que envolve o relacionamento de grupos no mundo digital. Pelo lado positivo, ninguém mais está condenado à solidão. Ao conectar mais de 3 bilhões de pessoas em torno de qualquer tema, a internet torna quase impossível que até o mais heterodoxo dos pensantes não encontre alguém que defenda ideias tão excêntricas quanto as suas. Isso se aplica a inclinações políticas, gostos  artísticos, preferências sexuais. Trata-se de alternativa formidável a quem se vê incompreendido ou mesmo rejeitado por familiares e vizinhos. Há, contudo, uma faceta menos brilhante nessa tendência. Devido a efeitos psicológicos frequentes nas interações entre indivíduos que pensam de forma muito semelhante e se isolam dos demais, não é incomum que tais comunidades se tornem cada vez mais radicais e descoladas da realidade. Sob esse aspecto, o exemplo dos terraplanistas se afigura quase benigno. Suas ideias têm reduzido impacto prático e baixíssima chance de viralização. Muito mais perigosas são as teses defendidas por militantes antivacinação ou mesmo por facções terroristas como o Estado Islâmico, que também se valem da rede mundial de computadores para difundir sua mensagem, conquistar e orientar adeptos. Aqui, toda a sociedade corre risco. Também nesse caldo de cultura brotam as famigeradas “fake news”, notícias falsas criadas pela má-fé e propagadas em meio à balbúrdia informativa. Boatos, teses estapafúrdias, teorias conspiratórias e ideologias tóxicas, claro, sempre circularam pelo mundo; agora, encontraram um veículo ideal de difusão. O terraplanista, de todo modo, é um preço razoável a pagar pela expansão das possibilidades de nos expressarmos sem amarras.    

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br /opiniao /2017/10/1925264 -formato-global.shtml. Acesso em: 08 out. 2017.