Música brasileira.

UFRGS 2020

Em resumo, você deverá escrever um texto dissertativo que apresente o seu ponto de vista acerca das ideias, veiculadas pelo texto do jornalista, a respeito da música brasileira.

TEXTO I

O compositor João Cavalcanti concorda que há uma lógica de disputa, pontuada pelo moralismo. E compara:

— Se o ataque fosse à simplicidade das canções, atacariam Caymmi por dizer “se fizer bom tempo amanhã eu vou/ mas se por exemplo chover não vou”. É um ciclo tão previsível que o próprio criticado de ontem vira o crítico da vez — diz ele, lembrando que tanto Lulu quanto Vercillo já apanharam por fazerem sucesso.

Não que seja o caso de aderir de forma irrestrita a tudo o que vira viral, pondera Cavalcanti:

— Também me incomodo com determinadas repetições, fórmulas. E tenho certo bode do discurso que diz que algo é maravilhoso só porque é popular. Mas não posso usar meu gosto para dizer o que serve ou não ao povo.

No centro de tudo, ele aposta, está a dificuldade de compreensão do outro:

— Tem menos a ver com a qualidade em si do que com uma dificuldade de entendimento dos mundos diferentes que convivem num mesmo país.

(Os artistas populares) não precisam de aval de ninguém, a não ser desse público. Quanto tempo vão durar? Vai saber…’

A radialista Patricia Palumbo, do “Vozes do Brasil”, se afina na mesma percepção:

— Se é cultura de massa que o artista almeja, ele tem que ir atrás das massas, traduzir o que pensa e como vive esse público que não lê os clássicos, não vai a concertos, não foi ao cinema e muitas vezes nem à escola. É um desafio.

A Tropicália, que deu régua e compasso para que muito da música de origem popular fosse legitimada, era uma tentativa de diálogo com essa produção — fosse o pop internacional, fosse a música radiofônica ou das ruas do Brasil profundo. E sentiu os efeitos disso, recorda Tom Zé:

— Minha tia dizia que a gente não fazia música, fazia ritmo. Fico imaginando o que ela diria de MC Loma (do hit do “Envolvimento”), que ouvi outro dia e achei bem simpática – ri o tropicalista.

Os donos dos hits seguem alheios ao debate, nota Zélia Duncan:

— Os sertanejos vivem num universo que nem alcançamos. Possuem aviões e plateias que enchem estádios, vários dias por semana. Não precisam do aval de ninguém, a não ser desse público. Quanto tempo vão durar? Vai saber…

Adriana Calcanhotto, que apanhou ao gravar Claudinho & Buchecha, não arrisca previsão, mas amarra a discussão citando um samba, com ar clássico, de outro tropicalista:

Parece que “desde que o samba é samba é assim”. 

Disponível em: https://oglobo.globo.com/cultura/musica/criticas-que-tiro-foi-esse-outras-cancoes-levantam-questao-musica-brasileira-esta-pior-22406901. Acesso em 20 out. 2019.

O texto acima discute uma das principais formas de expressão da cultura brasileira: a música. Já no título, é apresentada a grande pergunta que conduz a elaboração de sua linha argumentativa: “a música brasileira está pior?”.

Para responder a tal indagação, Leonardo Lichote vale-se da história da recepção da música pela crítica especializadas, de testemunhos de artistas e da indicação de vários exemplos. A partir disso, ele faz o leitor compreender os motivos que levam a expor um ponto de vista acerca da questão. 

Sem dúvida, o assunto é controverso e o texto não ignora isso!

Evidentemente, é fácil encontrar quem concorde com a perspectiva assumida pelo jornalista e também quem dela discorde. E isso não deve causar nenhum espanto, pois, quando se aborda um tema que está presente no cotidiano de todos- como é o caso da música brasileira -, é comum encontrar múltiplas opiniões. 

Com certeza, você, após a leitura do texto, também formulou uma opinião acerca das ideias nele contidas. 

Assim, considere que você decidiu apresentar ao jornalista a sua visão a respeito do que leu. Para tanto, você deverá escrever um texto a ser enviado para o jornal, que poderá publicá-lo na seção “Opinião do Leitor”.

Observe que é muito importante que, em seu texto, as ideias estejam expressas com clareza, para que os demais leitores do jornal possam compreendê-las e, com elas, concordar ou não. Aliás, é fundamental que você também lembre o jornalista certamente vai ler o seu texto.