Racismo nos esportes.

Com base na leitura dos seguintes textos motivadores e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo, em modalidade escrita formal da língua portuguesa, sobre o tema o racismo nos esportes.

TEXTO 1:

Taison reage a insultos racistas em jogo do Shakhtar, é expulso e deixa o campo chorando 

Torcedores do Dinamo de Kiev direcionaram xingamentos para o ex-jogador do Inter e o atacante Dentinho, que também se emocionou

Revoltado com os gritos da torcida do Dínamo, que era visitante e estava em menor número, Taison fez o gesto ofensivo e chutou a bola na direção dos torcedores após cometer uma falta, aos 37 minutos do segundo tempo. O árbitro da partida aplicou o cartão vermelho e expulsou o atleta. 

Avisado do racismo por Dentinho, o juiz paralisou a partida por cerca de cinco minutos no segundo tempo. Os jogadores Kiev foram até a beira do campo e pediram que as ofensas cessassem. O jogo terminou com vitória do Shakhtar Donetsk por 1 a 0.

Disponível em:https://gauchazh.clicrbs.com.br/esportes/noticia/2019/11/taison-reage-a-insultos-racistas-em-jogo-do-shakhtar-e-expulso-e-deixa-o-campo-chorando-ck2tbh33o001n01tldccqbqf1.html. Acesso em 10 de outubro de 2020.

TEXTO 2:

Itália deve ganhar observatório contra racismo no esporte

O Escritório Nacional Antidiscriminação Racial (Unar), órgão subordinado à Presidência do Conselho dos Ministros, anunciou que pretende lançar em março de 2020 na Itália um observatório contra o racismo no esporte.   

A iniciativa ganhou forma após os mais recentes incidentes de discriminação racial nos estádios italianos de futebol. Os jogadores Romelu Lukaku, Franck Kessié e Dalbert já foram vítimas.   

De acordo o diretor da Unar, Triantafillos Loukarelis, o observatório deverá ser lançado no dia 21 de março de 2020, dia mundial contra a discriminação racial.   

“O mundo do futebol está conversando conosco para superar os fenômenos do racismo que são registrados nos estádios da Série A e nos campos suburbanos. Queremos uma aliança. Recebemos relatórios sobre discriminação e monitoramos a mídia na web, o ódio online. A percepção é um número crescente, mas infelizmente muitos casos não são relatados”, disse Loukarelis.   

Disponível em: https://istoe.com.br/italia-deve-ganhar-observatorio-contra-racismo-no-esporte/. Acesso em 10 de outubro de 2020.

TEXTO 3:

Marcado historicamente pela supremacia masculina e heterossexual, o futebol sempre foi considerado um esporte feito por homens e para homens. Sendo assim, a inserção da mulher nesse ambiente tem se tornado um desafio que pode ser comparado a outras situações em que ela teve de lutar para conquistar seu espaço. O racismo, por sua vez, é um dos preconcei-tos mais velados, e, por conseguinte, um dos mais perversos. A pesquisa Datafolha, realizada em 1995, mostrou que 90% dos brasileiros admitiam que existe preconceito de cor no Brasil, mas 96% dos entrevistados não se julgavam racistas. (CUSTÓDIO, 2015). Podemos perceber o racismo no futebol de duas maneiras distintas: explicitamente, através de insultos das torcidas; tacitamente, tendo em vista a ausência de negros nos cargos de direção, nos conselhos ou no comando dos times.

Segundo Corrêa (1985), em uma sociedade racista como a brasileira, “para o negro não basta ser bom, é necessário ser ótimo, excelente, o melhor” (p. 33). Para os jogadores, negros, assim como Leônidas, Domingos da Guia e Pelé, não resta outra alternativa a não ser a superação de si mesmos, como costuma acontecer com todos os que ousam fazer incursões em ramos de atividade onde a competição seja branca. Para a autora, é lamentável que neste trabalho de conquista, nunca definitiva, “o número de mortos e feridos seja bem maior que o de vitoriosos, já que o mesmo racismo que empurra o negro para a superação de si mesmo cobra, na primeira falha, a concessão de um dia tê-los deixado galgar os degraus da fama” (p. 34)

Casos de grande repercussão nacional permitem a análise do racismo dentro de um contexto ritualizado como o futebol. A postura do goleiro Aranha de denunciar a agressão foi crucial para a investigação dos fatos, já que o Brasil, por possuir uma igualdade formal de direitos entre brancos e negros e não possuir em sua história conflitos raciais violentos, foi caracterizado por muito tempo como uma democracia racial.

Disponível em: http://periodicos.pucminas.br/index.php/pretextos/article/download/20767/15039. Acesso em 10 de outubro de 2020.