Transfobia no mercado de trabalho.

Com base na leitura dos seguintes textos motivadores e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo, em modalidade escrita formal da língua portuguesa, sobre o tema a transfobia no mercado de trabalho.

TEXTO 1:

Segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), 90% das travestis e transexuais se prostituem no Brasil. O número é alarmante e revela o quanto é difícil uma pessoa trans arranjar um emprego formal, principalmente com carteira assinada. Já de acordo com a Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasil (RedeTrans), 82% das mulheres transexuais e travestis abandonam o Ensino Médio por causa da discriminação na escola e, em muitos casos, pela falta de apoio da família.

“É muito difícil ver uma trans como vendedora, uma trans como caixa de mercado, como recepcionista de um consultório dentário. O preconceito existe sim, as pessoas fazem vista grossa, mas existe sim”, diz a cantora trans de funk carioca, Priscila Pepita, mais conhecida como “Mulher Pepita”.

Transexuais, desde sua infância sofrem com atitudes preconceituosas. Principalmente na fase de descoberta, quando o apoio é fundamental, o bullying atrapalha o autoconhecimento. “Quando as pessoas começam a te cobrar, dói muito, porque, além de você se achar diferente, eles te lembram isso 24 horas por dia. Somos pessoas que ninguém fala, não temos voz”, denuncia Jogê Pinheiro, transgênero e universitária.

Disponível em: https://revistaforum.com.br/noticias/transfobia-no-mercado-de-trabalho/. Acesso em: 10 de outubro de 2020.

TEXTO 2:

Enquanto muitos não consideram mais o gênero como um assunto estritamente binário, ainda há muito estigma ligado à transição de identidade de gênero no trabalho. A conscientização em relação ao tema aumentou, mas há muitos desafios quando se fala de questões de transgêneros no mercado de trabalho.

O presidente americano, Donald Trump, recentemente assinou um decreto banindo algumas pessoas trans de servir no Exército. E, segundo uma pesquisa conduzida pela Rádio Pública Nacional (NPR, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, mais da metade dos professores trans no país enfrentam assédio ou discriminação no trabalho.

No Brasil, o cenário é mais sombrio. Segundo levantamento da organização Transgender Europe, 868 pessoas foram mortas em crimes motivados por transfobia no Brasil entre 2008 e 2016, o que coloca o país no primeiro lugar entre as nações com maior número de mortes de transexuais no mundo.

A cultura de violência e a discriminação contra esse grupo também resulta em uma alta taxa de evasão escolar – 82% dos transexuais não concluem seus estudos, de acordo com uma pesquisa da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Outra consequência da discriminação de gênero e sexualidade no Brasil é que 61% da comunidade LGBT escondem sua identidade de gênero ou sua sexualidade no trabalho, segundo dados do instituto Center for Talent Inovation.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/vert-cap-44294681. Acesso em 10 de outubro de 2020.

TEXTO 3:

Não há vagas para pessoas trans. Desde que Natasha Roxy, 26 anos, passou a se reconhecer como uma mulher trans negra ela envia seu currículo para as empresas usando o nome social. Nunca foi chamada. Um dia ela resolveu fazer um teste e enviou o mesmo currículo, desta vez com seu nome de registro. As empresas começaram a entrar em contato.

O caso evidencia a transfobia e a dificuldade que ela impõe à inserção de pessoas trans no mercado de trabalho. “Quase todos os meus trabalhos de carteira assinada são de telemarketing. Nunca me foram dadas muitas oportunidades”, afirma. Foi em busca de oportunidades que 525 pessoas, a maioria da região Sudeste, se cadastraram na Rede Monalisa, uma plataforma online para conectar potenciais candidatos e candidatas trans e travestis a vagas de trabalho.

Depois de seis meses em funcionamento, a rede conseguiu cadastrar apenas 11 empresas aliadas e empregar 5 pessoas. A adesão de empresas é o maior problema enfrentado pela iniciativa, segundo sua fundadora, a cientista social Mayara Menezes. “Apesar das inúmeras vantagens, o empresariado ainda é fechado ao apoio da causa trans, por preconceito e também incompreensão”, afirma.

Disponível em:https://www.geledes.org.br/transfobia-ainda-e-obstaculo-para-o-acesso-de-pessoas-trans-ao-mercado-formal-de-trabalho/. Acesso em: 10 de outubro de 2020.